Esteja sempre satisfeito pelas coisas e pela a sua vida, porém, jamais esteja conformado. A conformidade é um perigo pois pode estar afastando você de Deus.
Tem uma história que diz que quando alguém mora perto de um esgoto a céu aberto, com o tempo, essa pessoa tende a se acostumar com aquele cheiro horrível.
Outras pessoas, se chegam até um local assim, sentem aquele odor insuportável saindo do esgoto e não conseguem permanecer ali por muito tempo.
Entretanto, quem mora ali, encontra uma forma de se adaptar e com o passar do tempo o cérebro dessa pessoa faz com que ela acostume com aquele cheiro.
Dessa forma, o odor passa a não incomodar mais, pois a pessoa já se acostumou – ou, em outras palavras, ela já se conformou.
A conformidade leva ao conformismo, um estado de passividade, a atitude ou tendência de se aceitar uma situação incômoda ou desfavorável sem questionamento nem luta.
Não fomos criados para a conformidade
Fomos criados portadores de uma natureza que sequer conhecemos direito.
“E disse Deus: Façamos um homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e que eles tenham domínio sobre os peixes do mar, e sobre as aves do céu, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre toda a coisa rastejante que rasteja sobre a terra.” (Gênesis 1:26)
Bom, uma parte de Deus habita dentro de nós. Carregamos em nossa essência a imagem e a semelhança do Criador.
A natureza de Deus habita em nós.
Foi para isso que fomos criados: para ativarmos essa identidade, essa natureza, e desfrutarmos da criação em comunhão com o próprio Criador.
Devemos entender que as pessoas altamente criativas, não conseguem deixar guardado uma grande ideia, elas precisam expressar aquilo, tornar real, concretizar.
Deus é a Fonte de toda a criatividade. Ele é a própria criatividade.
Portanto, toda a criação é fruto de algo que já existia nEle e foi materializado. Ao mesmo tempo em que, estamos aqui para dividirmos o desfrute dessa criação junto com Deus.
Para quem é criativo, não há recompensa maior do que ver outras pessoas desfrutando e se beneficiando, de certa forma, da sua obra.
Dessa forma, Deus queria que desfrutássemos e se beneficiássemos de sua obra. Esse sempre foi o objetivo de Deus para com nós, seres humanos, desde quando Ele nos criou.
Moldados a partir da terra
Da terra, Deus nos moldou. Deu forma ao nosso corpo.
A nossa carne pertence a esse mundo, fomos criados para habitarmos aqui, no planeta chamado Terra.
Entretanto, nosso espírito vem de Deus, carregando Sua imagem e semelhança. Isso não significa que nosso verdadeiro lar seja o “céu”, como muitos defendem. Não acredito nisso.
Mas, significa que carregamos em nossa essência parte da natureza de Deus. É nisso que deveremos focar quando olharmos para dentro de nós mesmos.
Dessa forma, nem na carne, e nem no espírito, fomos feitos para criar formas. Deus é quem dá a forma, e Ele já deu: imagem e semelhança.
O oleiro dá forma ao vaso, mas o vaso não fica tentando ser uma cadeira, ou então desejando se adaptar como um prato, pois ele é vaso.
A palavra conformidade está relacionada ao verbo “conformar”, ou seja, a ação de assumir uma forma e aceitá-la.
“Conforma” significa “criar forma”, ou ainda “adotar uma forma”.
Você não deveria gostar de sentir todos os dias o cheiro de um esgoto aberto, debaixo do seu nariz. Mas, quando você se “conforma”, está assumindo aquela forma. Está aceitando aquela condição e se moldando àquele cenário, ou seja, caiu no conformismo.
A alienação da conformidade
Certa vez, eu e minha esposa lemos o livro “Mais esperto que o diabo”, onde o autor fala muito sobre as alienações que vivemos e mostra-nos como evitá-las antes que seja tarde.
Essa linha de raciocínio mais tarde nos levou a escrever um livro chamado “Dialogando com um verdadeiro Cristão” (se tiver interesse, você pode adquirir a versão online desse livro clicando aqui).
No livro, nós abordamos algumas mentiras que acabam nos afastando de Jesus e, consequentemente, de Deus. No geral, esse é um tema que gosto muito de abordar, pois são as alienações as responsáveis por nos manter perdidos, afastados da nossa verdadeira identidade e afastados do nosso propósito.
A conformidade é uma etapa antes da alienação. O conformismo é a alienação.
Quando alguém diz para você: “se conforme”, está dizendo, na verdade: “assuma essa forma”.
E nós não fomos criados para assumir nenhuma forma.
Como você já sabe, Deus já a deu a sua forma. Você deve ser imagem (potencial, capacidade, sabedoria, etc) e você deve ser semelhança (agir semelhante, luz, domínio, expansão).
Portanto, quando buscamos nos adaptarmos às coisas, criando uma nova forma, estamos na verdade nos afastando da nossa verdadeira natureza. Isso significa que estamos nos afastando do próprio Criador.
Essa é uma condição mental negativa, que nos aprisiona e faz acreditarmos que “está tudo bem”. Chamamos esse efeito de “alienação”.
Por que precisamos de Jesus?
Se você acompanha os conteúdos aqui do blog, já sabe que não existe maldade em Deus. Eu sempre falo isso. Deus não é um tirano, um ditador.
Dessa forma, não devemos ter medo de Deus, nem chegarmos até Ele carregando uma culpa, como o peso do merecimento, por exemplo.
Temer a Deus é diferente de ter medo. Temer vem de respeitar, reconhecer. O respeito a Deus refere-se ao fato de reconhecermos Ele como nosso Criador e aceitarmos que não podemos viver sem Ele.
Aliás, o “reconhecimento” é outra alienação quando o buscamos para nós mesmos. Mas isso é assunto para outro conteúdo.
Por isso, todas as coisas ruins que acontecessem no mundo são resultados do pecado, que provocou um afastamento de Deus. O mundo é afastado de Deus e cabe a cada um de nós buscarmos novamente essa reaproximação.
E essa busca vem através de Jesus.
Uma sequência de consequências
Como nós estamos sem forma, dado o afastamento de Deus, ficamos alienados buscando viver em conformidade com as situações da vida.
Entretanto, Deus enviou Jesus para ser a nossa forma. O nosso formato. Nosso modelo.
Através de Jesus podemos novamente encontrar nossa verdadeira natureza, a imagem e semelhança de Deus que foi escondida.
Existe uma nova vida depois que nós confessamos Jesus como nosso Salvador, como O Filho de Deus, e cremos nisso verdadeiramente. Entretanto, essa nova vida é individual, e não coletiva.
O coletivo continua contaminado pelo pecado, pelo afastamento de Deus.
Enquanto estivermos nessa vida terrena, estaremos sempre vivendo uma sequência de consequências.
Desde o pecado original, quando Adão e Eva traíram o Criador, todo o resto é apenas consequência.
Deus não amaldiçoou a Terra porque Ele quis, a Terra por si só tornou-se amaldiçoada por consequência do pecado.
“E a Adão ele disse: Porque tu escutaste a voz de tua mulher, e comeste da árvore, da qual eu te ordenei dizendo: Tu não comerás dela, amaldiçoada é a terra por tua causa; com sofrimento tu comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também produzirá para ti; e comerás a erva do campo; no suor da tua face comerás o pão, até que retornes à terra, pois dela tu foste tirado; porque pó tu és, e ao pó tu retornarás.” (Gênesis 3:17-19)
“Amaldiçoada é a terra por tua causa”, consequência.
O Criador conhece a sua obra. Se um parafuso foi colocado ali, tem um motivo para isso. Se você tirar o parafuso de um motor, terá consequências.
O perigo da conformidade é que ela faz com que nós queiramos nos adaptar às consequências.
Menos conformidade, mais Jesus
Há quem diga que o ser humano tem um grande potencial de adaptabilidade, e que, isso foi responsável por nos fazer sobreviver e evoluir como espécie em todos esses anos.
De certa forma, está certo.
Porém, a adaptabilidade deve ser um momento passageiro, uma ferramenta, e jamais uma forma de viver.
Adaptar é um recurso, um meio para um fim, mas não devemos fazer disso uma ponte para criarmos formas. Para nos conformarmos.
Não devemos ser como o camaleão, que troca sua cor de acordo com o ambiente. Devemos estar sempre buscando evoluir, buscando crescer, e influenciar o ambiente a partir de quem verdadeiramente somos.
O ambiente se molda a nós, não o contrário.
A adaptabilidade portanto, se mal usada, pode ser um passo para a alienação, e não para a evolução.
Ao invés disso, que nós possamos aceitar e buscar todos os dias por Jesus, pois através da fé nEle conseguimos ter acesso a Deus, que é nossa Fonte, para experimentarmos a nossa verdadeira natureza – nossa verdadeira forma.
Seja grato a Deus por todas as coisas e viva satisfeito sempre, porém, nunca conformado.
Seja um inconformado, faça da inconformidade e do inconformismo um guia para a sua vida.
Por hoje ficamos por aqui, forte abraço e até qualquer hora.
Gustavo
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